Tudo para ficar (bem) com ele
- A.C S.M

- 15 de jan.
- 4 min de leitura
Olá literatas desse mundão!
O blog de hoje é especial e vocês já devem imaginar o porquê, certo? Uma dica, começa com F e termina com filme recém assistido.
Porém, contudo e todavia, quero esclarecer que esse filme é uma comédia 99,9% das vezes centrada em dramalhões, recheados de cenários vergonhosos a ponto de nos questionarmos se eles são mesmo possíveis e, sim, são! Talvez seja isso que torna as coisas mais engraçadas.
"Tudo para ficar com ele" é um romance dos anos 2000 estrelando a iluminada Cameron Diaz, Christina Applegate e Selma Blair como um trio de amigas encrenqueiras e cheias de espírito, no auge de suas vidas amorosas. E, quando me refiro a cheias de espírito, quero dizer que todas tem a tendência de cantarem e dançarem pelas ruas da cidade como se tudo não passasse de um reality show prestes a ser documentado.
A magreza ainda estava em alta, assisti com minha dinda ao lado e ela comentou da "falta de bunda" das atrizes e, de fato, hoje é uma pauta que antes sequer existia. É de se esperar que tenha comportamentos próprios daquela época. A mentalidade era outra e não é por isso que torna o enredo inválido ou menos importante, pelo contrário, é essencial termos registros dos roteiros, enredos e até das músicas antigas que marcavam as cenas.
As atrizes estão sublimes, trajadas com suas calças de cintura baixa e vestidos colados, foram mesmo um colírio em meio a um dia cheio de pensamentos confusos. Não sei se consideram esse filme um clássico, mas, a partir de hoje, sinto que ele tem um espacinho nos meus assistidos, suficientemente significativo para eu considerá-lo um.
Há momentos em que me questionei se elas podiam estar mais sexualizadas do que um pornô, mas mais pra frente relevei e entendi que um filme pode falar sobre questões femininas com peitos e bundas e gemidos e, claro, sexo! Sem tabu, afinal, mulheres também podem ser sexys, pervertidas e engraçadas, tudo de uma vez. Conotação sexual é bastante presente, talvez seja até um assunto recorrente, tão recorrente que me fez perguntar se era um filme exibido em TV aberta.
De qualquer forma continuei assistindo, estava precisando de algo para me distrair e, de certa forma, trouxe momentos familiares para mim. Sobretudo nas partes carregadas de situações improváveis, coincidências engraçadas da vida e outras que seriam frustrantes se não tivessem sido colocadas em um filme de humor.
Eu sempre penso que manter esses filmes em circulação é uma forma de mantermos as memórias do passado vivas. Telefones fixos, revistas, transições de roupa repletas de caras e bocas...Tudo isso é um pacote completo para uma boa tarde nas férias! E digo mais, o filme tem aquele ar esquisitinho que nos faz questionar no meio dele se fizemos uma boa escolha.
Detalhe: nos perguntamos isso escondendo o rosto e um sorriso bobo.
Ainda me lembro dos minutos finais do filme. "Estou presa a uma rotina" Christina disse, a voz embargada e o nariz fino avermelhado "não quero mais ser aquela garota"
Isso mostra que a personagem reconhece que precisa mudar, mas esse reconhecimento se dá pelo seu amadurecimento. Ela sai para dançar depois dessa conversa, mas me pergunta se ela, de fato, estava vivenciando aquele momento?
Era mais uma saída, mais uma conversa sem sentido com um estranho sem sentido. O amor é um risco, o amor é uma loucura, talvez esteja tudo bem em arriscar.
A garota do início do filme, a mesma que os caras ficam malucos correndo e desejando chamar atenção, a mesma que se perde noites a fio pulando feito pipoca enquanto segue uma batida incessante. Christina, no meio de vários corpos, mas nenhum que ela possa se segurar ou contar - além das suas amigas.
Mais do que trocar confidências, elas trocavam experiências e vivências.
A amizade exala química e me contorci horrores vendo os desdobramentos e as humilhações que elas passavam, humilhações essas que se transformam em entretenimento só pelo fato de estarem juntas. Quando uma história de um trio de amigas vira um flashmoob sobre o órgão genital masculino dentro de um restaurante chinês, com direito a uma idosa que sabe dar estrelinhas e, para melhorar a coisa toda, uma dança sensual com sombrinhas - sabemos bem que não procuramos por isso.
Mas acabamos encontrando e eu, pelo menos, adorei ter me deparado com essa coisa toda perdida no catalogo. Me arrisquei, pensei muito antes de assistir, mas talvez ver um filme não precise se transformar em uma grande novela, talvez aquele filme só esteja pedindo para você sentar e terminá-lo. Não só experimentá-lo como um conjunto de roupas ou um par novo de sapatos, mas senti-lo de uma maneira confortável, de um jeito que ele te desperte algo.
Depois de assistir e me deparar com uma playlist viciante que nem água gelada no verão, percebi que tudo que é bom pode melhorar com Pinã Coladas tocando de fundo.
Me senti bem assistindo. Filme recomendado se você procura se desligar da realidade, mas sem perder aquele gostinho bom que a vida pode ter.




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