Mulheres e suas vozes
- A.C S.M

- há 2 dias
- 3 min de leitura
Olá, literatas de plantão!
Estou sumida? Um tanto, mas nada que uma boa resenha/crítica/opinião literária não resolva. Hoje minha missão no blog é dar uma movimentada e, nada melhor do que um tema totalmente atual: mulheres.
Como base vou usar o icônico "A noiva!" recém lançado e "Salve a Santa" da autora L.S Santos. Lembrando que não costumo trabalhar com spoilers, mas seria interessante você procurar mais sobre eles quando tiver oportunidade! Ambos estão altamente recomendados.

Apesar do título do blog, a voz que irei trazer não é só aquela que deveríamos usar, mas sim aquela que guardamos a sete chaves na nossa mente bagunçada. Aquela que calamos e reprimimos ao máximo.
Para quem ainda não conhece, A noiva é um reconto do clássico "romance" entre Frankenstein e sua noiva e, bem, no filme mostra que ela não é bem a noiva dele ou, melhor, foi alguém BEM antes de Frankenstein pedir uma companheira, devido a solidão e a sua aparência que assustava a todos.
Logo no início do filme somos introduzidos a Mary Shelley, a voz que habita sua mente perturbada. Ela está presa dentro da cabeça da protagonista e, mais tarde, começa a se manifestar durante um jantar e, a partir daí, começa a ser tratada como alguém a beira do colapso. Muitos até alegavam que estava possuída por um espírito que questiona seu propósito naquela sociedade instável.
É uma releitura sobre autodescoberta, mas acima de tudo, respeito. É onde a protagonista começa a se enxergar e manifestar seus pensamentos profundos - veja bem, para isso é necessário ela morrer, pois desde o começo existia um bloqueio que a forçava a se portar de uma maneira que não concordava.
Ela só agia, uma boneca personalizável e de fácil controle.
Muitas vivem presas nesse estado e esse discurso defensor não é de hoje, tanto é que a primeira aparição da noiva, por mais curta que tenha sido, movimentou bastante o debate a cerca do feminino. Principalmente os atentados contra o corpo da mulher.
"Eu prefiro que não" é uma frase associada com o respeito que a protagonista começa a impor a si mesma, sempre que comentavam/insistiam para que fizesse determinadas coisas. É uma maneira sútil, mas eficaz e direta de impor sua própria vontade.
Ela aprendeu a manifestá-la. Enquanto na edição de 1935 a noiva era silenciada, aqui Mary Shelley era o reflexo do distorcido, daquilo que ela mantinha dentro e que a corroía, carregada de impotência, indignação e raiva.

Agora trago "Salve a Santa" como um exemplo de força feminina. Argya representa força, sentimento e querer e, desde o início, acompanhamos a árdua jornada da Santa do império de Evoa.
Sua missão era salvar o seu filho e se salvar de um imperador cruel, tudo isso enquanto buscava evitar uma grande chacina devido a guerra. A cada instante ela se sacrifica um pouco, escolhendo sempre que pode derramar o próprio sangue ao invés de sangue inocente.
Argya tem seus demônios internos, para alguém com muitos deveres e obrigações, ela se cobra demais e, para quem se cobra tanto, há sempre aquela voz insegura que nos impulsiona pra baixo. Ela é amarga e carrega o pior dos remorsos, aumentando a sensação de fraqueza e sempre fazendo questionar se Argya é suficiente.
Tanto A Noiva quanto Argya carregam essas vozes, ambas sussurrando coisas que devem ser feitas e que, quase sempre, são ignoradas. Podem ser coisas ruins, como no caso dos demônios de Argya, ou coisas necessárias que A Noiva se sujeitava sem perceber porque era considerado algo "normal" a mulher se deixar ser tocada mesmo não querendo.
Todos temos uma voz, pode ser mais obscura ou pode ser mais ressentida, daquela que nos machuca e que nos incita a machucar os outros por pura defesa.
A voz letal, ciente de que podemos fazer mais, aquela que nos induz a coisas nem sempre boas, pois enxerga para além do nosso ponto e é muita das vezes agressiva. É quase como um instinto de proteção.
Aqui digo para vocês fortalecerem o seu não, se posicionar é uma arte e se permitir negar algo ou alguém é libertador. Depois que começar a se impor, dificilmente vai parar porque é mesmo viciante.
Nossas vozes podem nos assombrar, essa verdade está presente nas duas narrativas. Contudo, não estamos sozinhas.
Espero que tenham gostado dessa mistura! Unir o universo dos livro
s com o universo cinematográfico é uma paixão secreta minha.
Por aqui fico e me despeço! Saibam que todos os dias são das mulheres e, muito em breve, o mundo também será nosso <3




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