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Mulheres e suas vozes

  • Foto do escritor: A.C S.M
    A.C S.M
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Olá, literatas de plantão!


Estou sumida? Um tanto, mas nada que uma boa resenha/crítica/opinião literária não resolva. Hoje minha missão no blog é dar uma movimentada e, nada melhor do que um tema totalmente atual: mulheres.


Como base vou usar o icônico "A noiva!" recém lançado e "Salve a Santa" da autora L.S Santos. Lembrando que não costumo trabalhar com spoilers, mas seria interessante você procurar mais sobre eles quando tiver oportunidade! Ambos estão altamente recomendados.


nova versão do filme de 1935
nova versão do filme de 1935

Apesar do título do blog, a voz que irei trazer não é só aquela que deveríamos usar, mas sim aquela que guardamos a sete chaves na nossa mente bagunçada. Aquela que calamos e reprimimos ao máximo.


Para quem ainda não conhece, A noiva é um reconto do clássico "romance" entre Frankenstein e sua noiva e, bem, no filme mostra que ela não é bem a noiva dele ou, melhor, foi alguém BEM antes de Frankenstein pedir uma companheira, devido a solidão e a sua aparência que assustava a todos.


Logo no início do filme somos introduzidos a Mary Shelley, a voz que habita sua mente perturbada. Ela está presa dentro da cabeça da protagonista e, mais tarde, começa a se manifestar durante um jantar e, a partir daí, começa a ser tratada como alguém a beira do colapso. Muitos até alegavam que estava possuída por um espírito que questiona seu propósito naquela sociedade instável.


É uma releitura sobre autodescoberta, mas acima de tudo, respeito. É onde a protagonista começa a se enxergar e manifestar seus pensamentos profundos - veja bem, para isso é necessário ela morrer, pois desde o começo existia um bloqueio que a forçava a se portar de uma maneira que não concordava.


Ela só agia, uma boneca personalizável e de fácil controle.


Muitas vivem presas nesse estado e esse discurso defensor não é de hoje, tanto é que a primeira aparição da noiva, por mais curta que tenha sido, movimentou bastante o debate a cerca do feminino. Principalmente os atentados contra o corpo da mulher.


"Eu prefiro que não" é uma frase associada com o respeito que a protagonista começa a impor a si mesma, sempre que comentavam/insistiam para que fizesse determinadas coisas. É uma maneira sútil, mas eficaz e direta de impor sua própria vontade.


Ela aprendeu a manifestá-la. Enquanto na edição de 1935 a noiva era silenciada, aqui Mary Shelley era o reflexo do distorcido, daquilo que ela mantinha dentro e que a corroía, carregada de impotência, indignação e raiva.


dark romance de fantasia 2026
dark romance de fantasia 2026

Agora trago "Salve a Santa" como um exemplo de força feminina. Argya representa força, sentimento e querer e, desde o início, acompanhamos a árdua jornada da Santa do império de Evoa.


Sua missão era salvar o seu filho e se salvar de um imperador cruel, tudo isso enquanto buscava evitar uma grande chacina devido a guerra. A cada instante ela se sacrifica um pouco, escolhendo sempre que pode derramar o próprio sangue ao invés de sangue inocente.


Argya tem seus demônios internos, para alguém com muitos deveres e obrigações, ela se cobra demais e, para quem se cobra tanto, há sempre aquela voz insegura que nos impulsiona pra baixo. Ela é amarga e carrega o pior dos remorsos, aumentando a sensação de fraqueza e sempre fazendo questionar se Argya é suficiente.


Tanto A Noiva quanto Argya carregam essas vozes, ambas sussurrando coisas que devem ser feitas e que, quase sempre, são ignoradas. Podem ser coisas ruins, como no caso dos demônios de Argya, ou coisas necessárias que A Noiva se sujeitava sem perceber porque era considerado algo "normal" a mulher se deixar ser tocada mesmo não querendo.


Todos temos uma voz, pode ser mais obscura ou pode ser mais ressentida, daquela que nos machuca e que nos incita a machucar os outros por pura defesa.


A voz letal, ciente de que podemos fazer mais, aquela que nos induz a coisas nem sempre boas, pois enxerga para além do nosso ponto e é muita das vezes agressiva. É quase como um instinto de proteção.


Aqui digo para vocês fortalecerem o seu não, se posicionar é uma arte e se permitir negar algo ou alguém é libertador. Depois que começar a se impor, dificilmente vai parar porque é mesmo viciante.


Nossas vozes podem nos assombrar, essa verdade está presente nas duas narrativas. Contudo, não estamos sozinhas.





Espero que tenham gostado dessa mistura! Unir o universo dos livro

s com o universo cinematográfico é uma paixão secreta minha.


Por aqui fico e me despeço! Saibam que todos os dias são das mulheres e, muito em breve, o mundo também será nosso <3


 
 
 

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