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Trilogia antes

  • Foto do escritor: A.C S.M
    A.C S.M
  • 17 de fev.
  • 5 min de leitura

Saudações, literatas!


Hoje no último dia de carnaval - em teoria, né? Porque na prática é difícil parar a folia carioca - trago para vocês um pouquinho de uma trilogia muito querida por mim.


Não será bem uma resenha, mas sim uma série de comentários, observações e, claro, introduzindo esses filmes para quem tem interesse. Caso você não saiba ou não ligue muito, pode ficar sossegado que até o final dessa postagem seu interesse será despertado.



A trilogia Antes do Amanhecer é um romance dirigido por Linklater, estrelando Ethan e Julie como Jesse e Celine, dois desconhecidos que se encontram num trem e, a partir daí, surge uma troca um tanto curiosa até entre os dois.


Ambos não dividem só o trem de viagem, mas uma atração inexplicável. Como um encontro com o desconhecido pode evoluir para uma aventura romântica que surge depois de um convite tentador de Jesse? O mocinho não perdeu tempo e chegou na bela Celine, a convidando para um passeio em Viena, sem compromisso, apenas dois estranhos rodando pela grande capital.


cena before sunrise - 1995

Uma francesa e um americano se aventuram por Viena, mas a separação é inevitável ao amanhecer, pois ambos tem suas vidas. O resto é história.


Esse é o primeiro, o começo de tudo. Mostra que aquela famosa frase "um estranho é só um amigo que você não conheceu" talvez não esteja tão longe da verdade.


Pela curta introdução já posso dizer que Jesse é confiante e um dos últimos caras dessa existência com iniciativa suficiente para chegar em uma desconhecida que o cativou. O homem tem a lábia, mas não fica só nessa, ele sabe usá-la.


A narrativa se desenrola com as câmeras voltadas para o casal, o enquadramento é essencial para trazer o telespectador para perto das conversas, como se ele estivesse ali participando ou até testemunhando os dois conversarem tão espontaneamente sobre assuntos que muitos pensaram em discutir, mas poucos tem o costume de fazê-lo. É essencial para convidar quem assiste a se aproximar, revelando a vulnerabilidade dos personagens conforme as cenas passam.


Os pensamentos vira e mexe são compartilhados em voz alta, tanto Celine quanto Jesse compartilham eles como se fosse um pedaço de torta, um gesto simples e comum de educação, quem sabe, mas não torna o doce menos delicioso ao dar a primeira mordida. Não sei se minha associação faz algum sentido, mas é mais ou menos assim que lidamos com desconhecidos.


Inicialmente é algo formal, mecânico, mas não para o casal. Como eu disse, a atração é fascinante e as trocas de palavras não são programadas ou selecionadas, fluem com naturalidade, como se tudo dito fosse fruto do improviso dos atores e não um mero roteiro.


Tal ar natural é somente possível por conta do nível de atuação de Ethan e Julie, eles formam um casal e tanto nas telonas, tamanha é a química que nos questionamos se estamos assistindo um documentário de tão real que parece, mas a diferença é que documentários não me prendem tanto quanto esse romance (curiosamente inspirado em uma história real vivida pelo ator). Os personagens são humanos, aspiram sonhos e idealizações de um futuro incerto, mas uma coisa certa é ali, o agora que dividem.


Costumamos ter devaneios, mas não a discuti-los com um estranho, tampouco revelar quem somos logo no primeiro dia, pode levar até anos para pessoas se conhecerem por inteiro e, mesmo assim, Jesse e Celine conseguem se conhecer num dia e ainda permanecerem curiosos sobre o restante das coisas que podem aprender um sobre o outro, cheios de uma série de coisas não ditas.


Nesse primeiro senti como se não tivessem tempo a perder, como se a infinidade da vida deles motivasse esse contato repentino e essa busca por compreender mais do outro, escutá-lo e até admirá-lo. Falando em admiração, aproveito o gancho para exaltar a maneira que os OLHARES se encontram, até no silêncio os protagonistas soam como recém apaixonados, tem aquela ingenuidade mesclada com o desejo oculto, ainda em desenvolvimento.


Na verdade, até quando os olhares não se encontram e Jesse encara Celine (ou o contrário) dá para perceber a urgência de estar mais perto, mesmo com a pessoa do seu lado, é um toque sem precisar estender a mão. Há um conforto na maneira que os cenários passam, não há constrangimento na primeira interação deles, a situação soa familiar, justamente pela forma que a relação foi construída. Sem pressa.


O amor jovem é enaltecido, a expectativa com o futuro, a sensação do novo. Desenvolvem uma conexão profunda, fazendo qualquer um questionar se o tempo necessário para começar a amar alguém é a quantidade ou a qualidade.


A trilha sonora é intimista, embora as cenas trabalhem mais com os sons ambientes e crus, as músicas apresentadas trazem a tona aquela vontade de ter uma playlist dedicada só ao filme. Quando ela sobe com os créditos é algo avassalador e, simples assim, o filme já acabou.




No segundo há aquele despertar do primeiro, as memórias e a proximidade ainda permanecem adormecidas lá. Eles se marcaram de se encontrar na mesma data daqui a cinco anos - se não me falha a memória - e, bom, nem preciso dizer que ambos se decepcionam.


Não vou me aprofundar muito, esse é voltado para o reencontro, a sensação de algo inacabado ou algo bom que estava prestes a começar, algo com potencial, entendem?


Diferente do terceiro que amedronta o telespectador, o fazendo questionar se Jesse e Celine teriam mesmo um fim tão comum e mundano, como os casais reais. Mas, mesmo na ficção, eles eram mesmo um casal com problemas reais e discussões tão reais quanto.


Nesse há o desgaste de relações, mas ao mesmo tempo a esperança de que elas não precisam ceder ao tempo e a rotina. Algo que os três filmes tem em comum além do enquadramento do casal e da sensação palpável de fluxo contínuo e realismo, é o tempo em suas múltiplas faces.


Primeiro se conhecem, depois perdem o contato porque nada é planejado, coisas acontecem, a vida acontece. Os eventos podem afastar pessoas queridas e pessoas que poderiam se tornar queridas, enquanto o terceiro é mais voltado para o depois daquilo, depois dessa paixão e do namoro, o que há além dos beijos e declarações? Será que um relacionamento se reduz a isso?


Há o começo, o meio e o fim, naturalmente, mas um amor não precisa se esgotar. Tudo que sabemos é que nós somos passageiros, mas o que sentimos perdura, apenas se transforma ao longo dos anos.




Por aqui fico e me despeço com essa recomendação!

Se está com saudade de uma história que te marque e não seja passageira, a trilogia antes é para você.




 
 
 

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