Uma viagem a frança
- A.C S.M

- 8 de jan.
- 4 min de leitura
Olá olá, literatas...Ou seria melhor começar o blog de hoje com um bonjour?
De qualquer forma, cá estou eu, trazendo para vocês a primeira resenha do ano, mas do meu último livro do ano passado. Esse é especial, não por encerrar meu 2025, mas por ser um que desejei por diversas luas e não consegui engatar na leitura até esse verão.
Estão prontos para começar? Espero que tenham passaporte porque essa viagem é um passeio só de ida para o romance com escala para o amadurecimento.
Anna é uma jovem americana enviada contra sua vontade para um internato em Paris, onde conhece o charmoso Étienne St.Clair, por quem fatalmente se apaixona, mas nada faz com isso porque ele é um homem comprometido. Enquanto ela se adapta a nova vida, criando laços com seus novos amigos, vivenciando o ar parisiense, enfrenta o dilema do próprio coração.
Em resumo, temos aqui um conflito bem francês e com uma pitada de drama adolescente (uma coisa que eu nunca dispenso) e é justo pelo fato de que eu passo por isso, você provavelmente já passou ou vai passar. Uma das coisas que constitui um ser adolescente é o drama que o acompanha.
As vezes a situação nem é considerada grandes coisas por aqueles que observam de fora, mas dentro da cabeça do jovem tudo já desmoronou sem nem ter a chance dele construir alguma coisa. Anna poderia só ter sido sincera, assim como St.Clair e, assim, talvez teríamos evitado os conflitos, as perdas de momentos com potencial romântico - juro, sempre que chegava no climax desse casal eu derretia pela química. Queria sempre mais deles.
No entanto, se fosse assim, não teríamos páginas fresquinhas para ler. O enredo é voltado para as mudanças, seja dos sentimentos, quanto no quesito geográfico da coisa toda.
Anna e o beijo francês é um romance que estourou em meados de 2012/2011 (sua data de lançamento aqui no Brasil) e se consolidou como um querido no meio literário. Hoje eu entendo o tamanho do carinho pela obra e sinto ele dentro de mim toda vez que visito meus destaques.
É apaixonante, instigante e...Terrivelmente francês! É inegável, mas faz parte da proposta que não permite que a narrativa caia no óbvio. Temos uma protagonista que se afasta do seu país e é lançada mundo a fora, precisando lidar com um pai complicado, enquanto se recupera de um choque cultural absurdo. Dia após dia, ela se arrisca nessa cidade.
Mas Anna lida com a situação toda de uma forma tão humana, indo aos cinemas, se dedicando as suas resenhas, estudando, amando em segredo, crescendo....Tomando um pouquinho mais daquele espaço num meio desconhecido que, de início, jamais pensou em caber. Quer dizer, ela poderia escolher surtar de vez e empurrar tudo até o ano desgastar e terminar, mas opta por se aproximar das pessoas, aprender francês (insuportável), conhecer os cantos da cidade luz e se conhecer no processo.
Tudo é uma novidade. Foi uma leitura que me sugou para dentro do universo e me acolheu porque, assim como Anna, eu tenho meus dramas franceses e acho que todos vivenciaram um desses pelo menos duas vezes na vida! Há um claro conflito que ela estabelece, não com Ellie (namorada de St.Clair) mas com ela mesma e ele, eram só eles dois, nada de rivalidade feminina, o foco não é esse. É como os protagonistas compartilham desse amor incerto e novo.
Anna está crescendo e os sentimentos parece que não tem hora pra chegar, muito menos avisam. Talvez seja por isso que tenha se tornado uma das minhas leituras favoritas, tanto o processo de ler, quando na hora de terminar, fui preenchida por uma vontade de seguir. Seguir os personagens secundários (Meredith, Josh, Hashmi, Ellie...) e seguir essa vontade de descobrir mais sobre uma Anna nova, uma Anna que se enxerga em Paris que, depois de voltar de um certo show, percebe a falta que aquele lugar estranho, faz, que agora é uma das definições mais próximas de lar. Mas só por ter uma certa presença que teve o poder de marcar ela. Sua relação com St. Clair enfrentou alguns impasses, mas nunca Anna se afastou por conta deles.
Parece que foram se fortificando em meio ao caos, até o desfecho chegar com a revelação de que, sim, era mútuo, só podia ser algo que os dois compartilhavam. As conversas, as implicâncias...
Dentro dessas quase 300 páginas reparamos no atrito, nas provocações leves, na troca de faíscas, mas nunca houve um bloqueio real entre eles. Sempre conseguiam se aproximar ou demonstrar proximidade até mesmo depois de uma briga e até mesmo por e-mail (muito estranho acompanhar uma troca de mensagens tão animada e INFORMAL por E-MAIL) tipo, cara, cadê o whatsapp de vocês??
Logo pelo começo, Anna comenta em uma de suas reflexões sobre o quão confuso tudo parecia ser, nessa hora pude perceber o quão jovem ela é. Ser despachada para Paris, afastada dos amigos e da civilização americana familiar é só a ponta do iceberg para Anna que, além de enfrentar os próprios sentimentos, precisa lidar com a chuva de mudanças.
Mudanças essas que St. Clair mostra detestar em sua vida. Ele gosta de algo certo, familiar e a chegada de Anna testa isso em todos os sentidos possíveis. Ele, não só fez parte da confusão de Anna, como foi a principal razão dela ao longo da narrativa.
Descobrimos que, antes do amor, vem o interesse raso, aquele visual, mais pelo externo e, depois, há a aproximação, seguido da vontade de conhecer mais o outro, logo mais a amizade. O casal principal caminhou para o amor, mas não foi fácil, precisaram se negar antes de aceitarem o que sentem e, enfim, deixarem de resistir a atração inevitável que os perseguia.
Quero crescer como Anna. Sem temer.




Comentários