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A raposa e o deus caído

  • Foto do escritor: A.C S.M
    A.C S.M
  • 13 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Bom dia, boa tarde, boa noite e boa madrugada para vocês, literatas! Hoje tem resenha fresquinha de uma fantasia leve, com ar de drama, mas não qualquer tipo de drama.


O deus e a raposa é um livro que estourou tem um tempinho pelas redes, indo do bookstagram até o booktook, mas só então decidi desenterrar ele da estante e procurar me aventurar nesse universo. Já adianto que é uma leitura voltada para os k-dramas, sobretudo para os amantes do "Nove Caudas" e "Goblin" (mas só porque é fantasia e tem o mesmo ator)



Kim Hani trabalha como barista em um café e tem o desprazer de atender o deus caído insuportavelmente exigente com seu café, Seokga. Ele sempre pede a mesma coisa, duas colheres de creme e uma de açúcar e, certa vez, tirou vantagem e alegou que a raposa (ou gumiho) excede os ingredientes e não respeita a quantidade solicitada. Desde então Hani tem uma antipatia natural por Seokga.


A trope principal da romantasia é Enemies to lovers, cujo foco alterna entre o aflorar dos sentimentos do casal (relutantemente trabalhando juntos, depois de Hani se oferecer para atuar como assistente de Seokga) e o passado que guardam para si mesmos, seja a trajetória do deus e o que levou sua queda ou a antiga vida de devoradora de almas e fígados de Kim Hani.


Já introduzidos aos personagens, posso dizer que, como uma antiga amante dos doramas, as descrições batem com muitos enredos e instiga a imaginação do leitor a projetar esses cenários, baseados no que assistimos ou já tivemos contato. Eu particularmente adorei a maneira que despertou esse meu lado adormecido, pretendo procurar mais títulos para assistir depois dessa! Fiquei com gostinho de quero mais.


Apesar desse ponto positivo, a narrativa pode ter me prendido, mas o final foi o que quebrou todas as minhas expectativas porque, ao menos na minha visão, soou corrido. Como se Sophie tivesse desenvolvido cada personagem e papel dele na história, focado na relação da dupla dinâmica e dado ênfase para os momentos compartilhados entre eles, só para se perder no número de eventos e sobrar menos de cinquenta páginas para dar um encerramento decente. Num ritmo bom.


Mas o que seria um ritmo bom? Um que respeitasse a ordem dos fatores e o peso deles como, por exemplo, quando Seokga descobriu sobre a verdadeira face da Raposa Escarlate, Kim Hani. Mal voltaram para a reação dele, raiva, dor, mágoa...Sequer deu tempo de sentir essas coisas porque ele estava ocupado com todo o conflito do desfecho.


Além da parte dos mitos coreanos, há aquele teor investigativo, mas nada que seja de fato uma surpresa ou um grande plot, já podemos imaginar certas coisas, sem que seja óbvio, claro. É tanto nome diferente que o termo "gumiho" soava o mais normal dentre todos, tem até um glossário no final para o leitor se orientar, mas ao longo da leitura nem me atentei a isso e descobri só depois do epílogo.



De todo modo, embora seja um enredo familiar, tem seu valor e sua personalidade na escrita de Sophie Kim. Por ser meu primeiro contato com a autora, posso dizer que foi um tanto agradável ter minha mente tão envolta pelos cenários mágicos, não focado na seriedade - como mencionei na resenha anterior a essa, no skoob - mas sim transmitir o que já conhecemos de uma maneira diferente. Através da escrita.


Li mais por ser uma recomendação, mas continuei por gostar. A capa é bonita, mas fui mesmo impulsionada pela interação e pelas provocações baratas de Seokga e Hani, acabei descobrindo que tenho um fraco pela dinâmica de parceiros meio opostos na hora do serviço.


Há questões de amizade e pendências familiares, no meio delas também tem o Fuxico Divino, um nome que me fez dar risinhos satisfatórios ao longo das páginas corridas. Também gosto da maneira que Seokga é considerado amargo como café, mas dá pra ver o seu lado mortal aflorar por meio dos picos de culpa, preocupação cultivada por Hani inconscientemente e do incomodo que sentiu quando seu irmão mais velho comenta sobre o passado e Seokga percebe que, sim, poderia tê-lo matado na tentativa de roubar o trono, mesmo sem saber.


O ego dele só não é maior do que o nível de risadinhas idiotas que dei por cada pequena coisa perdida na narrativa. É como se essas pequenas coisas se tornassem maiores que a principal pauta da história, como os diálogos caricatos no meio das luta e as interações entre os personagens.


Enfim, recomendo o livro para quem quer explorar fantasias leves sem se prender a sagas imensas e a uma série de fatores (universos, termologias específicas, escolha confusa de palavras, etc)


Fazia tempo que eu não simpatizava com uma obra da Harlequin, a ponto de devorar a história em pouco menos de três semanas. Reconheço isso como um convite para explorar mais as novidades dessa editora tão pouco comentada.


"A cidade está sendo devorada pela escuridão enquanto ela e Seokga estão fazendo miojo"

Por aqui fico e me despeço! Durmam bem se estiver tarde e, caso esteja cedo, aproveite seu dia da melhor maneira possível: sem cobranças excessivas.




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